sábado, 4 de abril de 2015

Amizade?

Melhores amigos. 
Não passavam de melhores amigos. 
Irmãos, nascidos em famílias diferentes, com pais diferentes, criações diferentes. 
Meus melhores amigos. 
É engraçado pensar no nome que são dadas às coisas que existem no mundo. Melhores amigos.Soa como um troféu. "Pelos momentos que passamos juntos. Pela amizade que me concede. Aqui, Tome. Melhor Amigo."
Engraçado. Uma combinação de duas palavras que parece importar para muitas pessoas. 
Uma responsabilidade muito grande. 
Amigo. Apenas isso não seria suficiente? 
Parece que não. 
Esse 'troféu' torna algo diferente? O que sente? 
Haverá o título Piores Amigos? Se há o melhor, poderá haver o pior também, não? 
Dicotomia. Paradoxos. 
Chego a conclusão que tive melhores e piores amigos. E os encontrei nas mesmas pessoas. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Não é o suficiente

Agarrei a mão de um caído que a estendia, para ajudá-lo a endireitar-se. Ele quis mais. Quis que eu o acompanhasse no caminho e agisse como uma muleta. Assim o fiz. Não por bondade. Cativou-me. Prendeu-me. Vivi à sua sombra. Vivi à sua espera. Vivi à disposição de sua vontade. Acreditei que me tinha amizade. Acreditei que me tinha amor. Estendi minha mão. Ela ficou ali, pairando pelo ar. O caído que apoiei, ali não estava para auxiliar. Esqueceu-se de minha assistência. Esqueceu-se de mim. Abandonou-me. O que penso hoje é que nada foi suficiente. Que sempre preciso dar mais do que posso oferecer. E, mesmo assim, não é o suficiente.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Vivendo e Aprendendo



Vivendo e aprendendo:
- A consideração que você reserva às demais pessoas, nem sempre elas reservam à você;
- Para cada dose de sofrimento, acompanham três de alegrias;
- Ajudar aos próximos sem esperar receber ajuda no futuro;
- Entender que há pessoas que procuram por amigos nos momentos de necessidade e não felicidade;
- Fato concreto: a primeira impressão é sempre a que fica;
- Ter sempre os mesmos temas para conversa te faz ser chato(a);
- Mandou mensagem, não respondeu: obviamente, não quer falar com você ou não se interessa pelo que você escreveu;
- Os melhores livros são sempre àqueles pelos quais você se apaixona; 
- Não espere receber mais do que você merece;
- Só porque uma pessoa é legal com você, te trata por adjetivos carinhosos ou te dispensa atenção, que ela está, de alguma forma, querendo alguma coisa com você;
- Corações partidos podem sempre ser reparados;
- Homens são diferentes das mulheres (e, não apenas no quesito físico), mas há circunstâncias que são muito semelhantes;
- Todo ser humano comete erros, portanto é inútil escondê-los - haverá sempre o dia em que virão à tona;
- Errar, assumir e oferecer sempre uma solução;
- Nem tudo o que é bonito é bom; 
- Aprenda com a história para evitar errar desnecessariamente: afinal, errar uma vez é humano, mas insistir no erro...;
E, por fim, 
- Se for julgar, que tenha argumentos suficientes para tanto. 

Observe, aprenda, decida e viva sem arrependimentos, dúvidas ou mágoas. 
A vida humana é curta demais...

sábado, 22 de dezembro de 2012

Tempestade

The rain falls beyond the walls.
The gray day neither welcomes us nor calls us into the open air.
The walls press in; the sealed window stirs unease.
Beyond, the storm awakens.
Bolts of lightning carve the sky, revealing a world wrapped in darkness—
Revealing what longs to remain unseen.
Yet the light is fleeting, a spark,
Gone in an instant, as night collapses once more
Into the starless black.
And then, a hurricane takes form.
At its heart, there is nothing to cling to,
No ground on which to stand secure.
Thus the storm rages on—
Out there, and within.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

À Espera

Vivemos em constante espera... Esperamos que os anos passem e nos tornemos mais sábios, mais responsáveis e adultos. O hoje nunca parece mais saboroso que o amanhã. O futuro tem aquele gosto agridoce, cheio de expectativa e novas chances.
À espera vemos os minutos tornarem-se horas; as horas, dias; os dias, meses; os meses, anos... E ao fim desse ciclo interminável vemos que a vida passou, extinguiu-se. Ficaram apenas as marcas de nossos pés na terra batida.
À espera de que algo libertador aconteça, acabamos deixando de lado as coisas que mais importam: as palavras que deveriam ter sido ditas, as atitudes que deveriam ter sido tomadas, silêncios não preenchidos, o toque que não aconteceu e aquele beijo que não existiu.
Vivemos à espera de mudanças drásticas, de libertação ao nosso marasmo cotidiano... À espera de que a vida valha a pena, mas a vida sempre vale à pena, se vivida de maneira gratificadora.
Estamos à espera do que? De que o mundo volte a girar? De que as horas passem e os dias sigam? 

E no fim...


O pé-de-guaco no jardim deu flores... Havia anos que não nos agraciava com as flores primaveris e com o aroma acolhedor. Parecia que previa, que desejava prestar sua última homenagem àquele que o apresentou. O chá de guaco, porém, não possui o mesmo sabor... 
As bananeiras e os cafezais há muito já não produzem ou florescem. Perderam o viço e definham à um canto do jardim. As rapaduras não possuem mais o mesmo sabor adocicado que marcou a infância perdida. Tudo perdeu a graça e simplicidade... Definhou e acabou. 
Todo o início de história possui um ponto final. Toda vida deverá um dia terminar. Toda pessoa humana irá encontrar-se no fim de um túnel de onde não se pode mais sair, onde apenas haverá uma luz a lhes guiar, deixando saudades aos que permanecem, muitas vezes, também a espera da aproximação de seu ponto final, em meio as tantas vírgulas que aparecem no caminho. 
A saudade é a certeza de que passaram entre nós. As lembranças permanecem em cada canto da memória e da casa da infância. A cada segundo ecoa o som da tosse seca, da voz rouca, do cheiro de guaco e cafezal. 
Passaram como dois guias, como os chefes de duas família distintas. Da minha família. 

RIP Vô Antonio e Vô João

domingo, 10 de junho de 2012

The Road Not Taken

 
“The Road Not Taken
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
... Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.”

By Robert Frost